10608840_707719275968001_2026830677_nFoi o avião pousar pra eu me sentir em casa. Voltar a Portugal mexeu muito comigo. Foi incrível, foi nostálgico, engraçado, novo… Foi libertador. Quis mais do que nunca piscar e estar ali dois anos atrás, sentir aquele mesmo clima de quando cheguei àquele lugar pela primeira vez e descobri cada pedacinho da cidade.

Faro é o nome da minha segunda casa. São pouco mais de 40 mil habitantes, mas milhares as lembranças que guardo. Cada praia que conheci no Algarve, região sul do país, fez com que aquele verão fosse incrível. Mas o inverno também não ficou pra trás. As festas da faculdade eram muito animadas e a cidade respirava juventude. Era tão bom!

Entretanto, como sabia que não era possível voltar, redescobri os lugares de um jeito intenso: ri e chorei ao mesmo tempo, revivi momentos e passei por outros que ficarão na memória para o resto da vida. Gargalhei ao repetir (à maneira portuguesa) as palavras pixina, xinco, xete, e mais todas as que eram possíveis trocar o “s” pelo “x”. Entrei no pingo doce, o mercado de lá, e me senti nas nuvens, queria fazer as compras da semana, do mês, da vida toda. Bebi cerveja com groselha! Comi bacalhau com natas! Sentei na marina e observei os aviões pousarem em direção ao pôr-do-sol (e que cena 10613980_707718869301375_709398189_nincrível!). Dormi na praia até acordar sentindo o sol de mais de 30 graus queimando a barriga! Fui até minha antiga casa e quis chorar copiosamente ao olhar aquela sacada, mas escolhi sorrir! Revi amigos que fiz no começo de 2012, quando lá morei por seis meses em uma das experiências mais incríveis que tive, mas também fiz novas amizades, que com certeza levarei comigo por onde quer que eu vá.

Sendo uma pessoa do mundo, como me dizem, vibrei mais do que nunca por poder voltar justamente no meu aniversário. E fechei o ciclo dos 22 anos entendendo que a felicidade só existe quando é COMPARTILHADA e que este sim é o grande sentido de tudo. Por isto que aqui escrevo. Já que não posso estar colocando toda essa euforia pra fora pertinho de todos aqueles que eu amo, divido desta forma os meus pensamentos – que estão pulsando aqui e agora.

Por Raíssa Mokarzel – intercambista em Dublin, Irlanda.