Simples como um labirinto – os desafios das mulheres da China

A batalha feminina para conquistar direitos iguais ou semelhantes aos dos homens é tão antiga que por vezes até se perde em seus objetivos. Mas, de uma forma geral, ainda há muito caminho a ser percorrido até que a questão de gênero no mundo seja no mínimo considerada equilibrada. Em alguns países, no entanto, tudo acontece a passos lentos. Bem lentos. Em alguns momentos, chega a ser um retrocesso. O cenário de hoje é a China.

Um pouco do universo feminino do país está no livro “As boas mulheres da China”, da jornalista Xinram, publicado em 2002. Depois de falar da dificuldade em conseguir publicar o material num país que tenta abafar os problemas das diferenças de gênero, Xinram conta histórias e até os desabafos de várias mulheres em diferentes condições. São depoimentos e também observações feitas por ela na rotina de mães de família, jovens e adolescentes em diferentes cidades chinesas. Os relatos, de mulheres até então anônimas, foram coletados entre os anos de 1989 e 1997. Tem a catadora de lixo que se anular e se esconder para não envergonhar o filho – um político bem-sucedido, uma menina que perdeu a razão em consequência de uma grande humilhação, mulheres violentadas. Xinram sempre gostou de levantar assuntos polêmicos. Ela tinha um programa de rádio onde falava sobre vida íntima, violência familiar, opressão e homossexualismo.

A historia política

Para entender um pouco sobre a vida das mulheres da China, é preciso conhecer o mínimo da história do país. Desde 1949, a mídia chinesa funcionava como porta-voz do regime comunista. Rádio, televisão e jornais estatais eram as fontes de informação e quase não existia comunicação com pessoas no exterior. Só em 1983, o presidente Deng Xiao Ping iniciou um lento processo de abertura da China. Alguns jornalistas começaram a promover pequenas mudanças na apresentação das notícias. O programa apresentado por Xinran era um dos poucos espaços em que as pessoas podiam desabafar e falar de seus problemas pessoais.

Muitos anos, poucas mudanças

O tempo passou, mas as mudanças continuam a passos lentos. Ainda hoje existem restrições para o acesso à Internet. Em relação à questão de gênero, as mulheres na China continuam sofrendo opressão. Elas são maioria nas universidades, assim como em outros países, mas nem sempre podem escolher no que seguir carreira. Segundo o Ministério da Educação daquele país, as mulheres são proibidas de estudar uma variedade de cursos, como engenharia civil e naval, sob a justificativa de “respeito à sua segurança”. Algumas universidades também limitam a entrada de mulheres a 10% ou 15% do total de alunos. A alegação é que não haveria oportunidades de trabalho suficientes para elas após a formatura – já que as chinesas são proibidas de ter empregos “masculinos”. O departamento de engenharia de minas da universidade de Jiangsu cita argumentos semelhantes. As mulheres não seriam capazes de transportar o equipamento para mineração por ser muito pesado e porque não conseguiriam escapar de uma mina rápido o suficiente em caso de emergência.

Claro que as condições sociais e econômicas podem mascarar muitas dessas realidades. Pesquisas já apontaram mulheres da China como as mais ricas do mundo, mas o que se sabe é que elas ainda são a minoria e continuam ganhando menos que os homens. A luta pelos direitos femininos ainda está longe do fim.

 Com informações BBC e Companhia das Letras

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