Filipinas – Férias pro corpo e pra consciência

Já imaginou explorar as atrações turísticas de um lugar e além disso, conhecer de perto a vida local, fazendo parte dela?

Cada vez mais as pessoas estão experimentando novos conceitos de turismo. Uma opção bem bacana é o turismo combinado com alguma atividade beneficente. Alguns escolhem passar uma  temporada  fazendo  um  trabalho  voluntário  em  uma  organização  educacional,  outros  se dedicam a projetos ambientais e alguns preferem lidar com animais. As possibilidades são várias. Uma experiência desse tipo pode ser, além de prazerosa pra todos os envolvidos, bastante divertida! É só você escolher algo que combine com seu estilo. E o mais importante: Você planeja a duração de acordo com a sua disponibilidade. Estou aqui pra compartilhar com vocês uma experiência muito especial, que tive há pouco tempo.

Antes de eu chegar ao Camboja, onde eu me envolveria em um projeto social a longo prazo – essa história eu relato pra vocês em breve numa outra matéria – eu resolvi conhecer as Filipinas. Fugindo do inverno europeu, fui com a intensão de me divertir na agitada capital Manila e relaxar em algumas ilhas nas proximidades.

Praia de areia branca - Ilha Mindoro, Filipinas

As Filipinas são garantia de belíssimas paisagens. Vulcões e praias paradisíacas caracterizam bem esse país. Porém, existe também um lado não muito agradável. A pobreza lamentavelmente também faz parte da realidade desse povo tão simpático. Chegando no aeroporto de Manila, peguei mapas e dicas na informação turística e fui pro ponto de táxis. Avistando um jovem casal, que até então eu não sabia que estava no mesmo vôo que eu, perguntei se poderíamos dividir o táxi até a cidade. Como eles ainda não tinham hospedagem reservada, resolveram ir junto pro meu albergue. Acabamos passando o dia juntos. No próximo dia eles seguiriam pra outra região.

Edwin - True Manilam. Filipinas

No albergue conheci Edwin. Um jovem filipino com um ideal muito belo, ajudar a comunidade (pouco favorecida) onde ele cresceu e ainda vive. Com seu carisma e educação e com o apoio do albergue, ele convida hóspedes a participarem de um tour por essa área carente de Manila. O “True Manila“. É tudo bem espontâneo e geralmente organizado um dia antes. O número de participantes é ilimitado. Se uma só pessoa se disponibilizar, o tour acontece. Nós nos encontramos cedo na recepção e seguimos de Jeepney. Ao chegar na comunidade, muitas pessoas nas ruas, muitas crianças, até um certo tumulto, devido à presença do corpo de bombeiros, que controlava o incêndio próximo à casa do Edwin. No caminho distribuímos alguns alimentos doados pelo último grupo, pra dar continuidade. Algumas vezes encontramos caixões  em frente às casas; corpos sendo velados durante dias, expostos aos passantes e à espera de doações para o enterro, como Edwin nos disse ser de costume. Andamos por ruas e vielas da comunidade. Conhecemos alguns moradores, brincamos com as crianças na rua. Depois nos reunimos e cada um contribuiu com a quantia que podia ou desejava. Então fizemos compras em algumas mercearias, pra ajudar na economia local. Na casa do Edwin preparamos sacolas pra serem distribuídas ainda naquele dia, como também pelo próximo grupo. Depois de brincar e distribuir lanchinhos pras crianças, tomamos os triciclos e voltamos ao albergue, mas com uma última parada.

Jeepney como transporte escolar - Mindoro, Filipinas

Confesso que o que vimos foi algo muito duro. Mas nessa última parada fui surpreendido. Visitamos moraradores embaixo de uma ponte, às margens de um canal de esgoto. Alí não via-se aquela alegria, que conhecemos na comunidade. Fomos recepcionados sem grandes atenções, embora já fosse comum os grupos passarem por lá. Em pleno sol radiante, andávamos pelo beco sob a ponte com a ajuda de lanternas, caso contrário não enxergaríamos nada. Distribuimos os alimentos e nos fomos. Agora era a hora de nós cozinharmos pro nosso grupo no albergue. Depois desse dia cheio de descobertas e de interação com as pessoas da comunidade e do albergue, segui meu roteiro, com uma sensação de paz e muitas reflexões.

 Manila, Filipinas

Fui à ilha Mindoro e desfrutei de suas praias belíssimas. Conheci mais gente local, interagimos, dancei, relaxei. Já de volta à ilha principal, subi em um vulcão, que é uma ilha no meio de um lago. Peguei carona. Fiz passeios de barco. Simplesmente me diverti. Por fim, me despedi das Filipinas com vontade de voltar um dia.

Como você pode ver, existe a possibilidade de viajar pra relaxar, se divertir… e se envolver em algum projeto social, mesmo que seja por um dia! Embora muitos considerem pouco, você nunca vai esquecer o que é ver o sorriso estampado nos rostos de pessoas, simplesmente por saberem que você está ali, pra se dedicar um pouco a elas. Pra compartilhar um momento especial com elas. E se cada um dedicar uma pequena parcela do seu tempo pra promover esses momentos, podemos não solucionar os problemas da humanidade, mas tornaremos o mundo um pouco melhor. Inlcusive nossa própria vida.

Espero que vocês tenham gostado. Eu adorei compartilhar essa experiência com vocês! Sintam-se à vontade pra comentar, mandar sugestões, pois é com essa interação que aprendemos e nos desenvolvemos.

Um mundo melhor pra todos nós!

Saiba mais sobre o projeto Trumanila aqui ou no facebook

Imagens: Eduardo Xerez


Dado Xerez
Dado Xerez é mestrando, graduado em História da Arte e Ciências da Cultura pela Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde trabalha como Mediador Cultural. Sua grande paixão é viajar pelo mundo, colecionando novas histórias e aprendendo com cada lugar. Já visitou até então mais de 70 países e, além da Alemanha, já viveu na Nova Zelândia, Malta e Camboja. Hoje conta suas aventuras na coluna Mundo Afora, aqui no Press Abroad. Fascinado por comunicação, ele domina com fluência o Alemão, Inglês, Italiano e Português e ainda desenrola no Russo, Francês e Espanhol.