E lá vou eu de novo fazer as malas, de novo embarcar nessa aventura, de novo viver um intercâmbio. O destino é o mesmo, Dublin/Irlanda, mas a história será outra, com certeza!

“ Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”.

Sei que muitos imaginam que ser intercambista de segunda viagem é bem mais fácil. Pode até ser, em muitos aspectos, mas não em todos.

Quem vai pela primeira vez, luta contra o medo do desconhecido. Novidades animam, mas também assustam. Porém quem irá encarar essa jornada, again, conta com o medo do conhecido e esse, às vezes, assusta mais. Eu já conheço o lado mágico, incrível do intercâmbio, mas também conheço o lado “oculto”, não tão favorável. Como eu já disse em outras matérias minhas, morar fora do Brasil nem sempre é um mar de rosas. Existe muita história atrás das minhas lindas fotos pela Europa, e como tem. Você que ainda só sonha com o intercâmbio, tem a favor a magia da imaginação, poder montar o seu intercâmbio ideal sem o “balde de água fria” da realidade. Eu, também, de novo, sonho com o intercâmbio ideal, mas já conheço a realidade da coisa.

Quem vai pela primeira vez se preocupa em como vai encontrar acomodação na primeira semana, como vai encontrar trabalho, se você irá fazer muitos amigos ou se sentir sozinho, se o dinheiro vai dar para se manter etc. Enquanto você que planeja pela primeira vez essa experiência “maluca” vive atormentado pelas dúvidas, eu vivo atormentada pelas respostas. Eu me preocupo com a mesma coisa, porém em peso e ângulos diferentes. Tudo bem, dessa vez eu já tenho trabalho, graças a Deus. Eu vou pela agência onde eu já trabalho no Brasil, sou consultora de intercâmbio, mais um presente que a experiência de intercambista me deu. E vou justamente para ajudar os recém-chegados a Ilha Esmeralda durante seu dia a dia por lá, com essas dúvidas e medos e fazer com que o intercâmbio seja, realmente, o tal sonho ideal deles. Mas olha a ironia do destino (rs). Eu que vou para ajudar a eliminar o medo alheio, pois já conheço o passo a passo do intercâmbio, tenho que enfrentar, também, meus novos medos sobre o mesmo assunto.

Já sei onde e como encontrar casa, mas eu também não sei com quem vou morar. Será que eu vou gostar dos meus flatmates ou eles de mim? Já sei como economizar meus “euricos” mas também caiu na tentação do preço barato afinal… Estou no Brasil e há tempo eu não compro algo barato, né?! Preciso aprender a me controlar de novo. É uma série de dúvidas que passam na cabeça de quem já viveu um intercâmbio que vocês nem imaginam. Não é só porque eu já vivi isso que meu coração não acelera e que meu medo não me domine às vezes. Tenho medo também que de errado. O fato de o primeiro intercâmbio ter sido incrivelmente perfeito, não me da garantia de que o segundo será assim também. Eu mudei, amadureci muito sim, mas maturidade, na minha humilde opinião, também pode “jogar contra” você às vezes. Muita coisa deu certo porque eu tinha a juventude e coragem de arriscar sem pensar nas consequências e, hoje, talvez eu não vá agir da mesma forma em momentos semelhantes. Quanto mais amadurecemos, mais conhecimento dos riscos temos e, muitas vezes, isso nos inibe de fazer justamente o “certo” que nos parece “errado” – arriscar. Deu certo porque me joguei sem pensar, me libertei. Vivia o hoje sem me lembrar do ontem e nem se quer parar pra pensar no amanhã. “O hoje sempre será mais lindo se você realmente o viver” (poetizando).

Um novo intercâmbio me obriga sim a arriscar de novo, mas com mais cautela. Não vou mais para “brincar” de morar fora. Não estou dizendo que viajantes de primeira viagem não levem o intercâmbio a sério, mas o peso é sim mais leve, porque de qualquer forma, até dando errado, está dando certo. Chegaram até lá, já conquistaram um sonho e tudo, na primeira vez, é lucro. Hoje eu tenho que, profissionalmente, esquecer tudo o que deu errado e não confiar tanto no que deu certo pra mim. Preciso ajudar o pessoal que confia no meu trabalho, que fechou o intercâmbio comigo e aposta nessa minha experiência, para fazer a deles dar tão certo quanto, ou mais, por que não? Os tempos mudaram e as estratégias também. E eu tenho que saber identificar essas mudanças para ajudá-los e pra isso, eu preciso achar esse mesmo caminho do “acertar” para mim. O que me faz sentir o mesmo frio na barriga que você, que vai pela primeira vez, sente. Estamos no mesmo barco. A diferença é que eu tenho mais prática em remar, porém, nenhum de nós pode adivinhar como estará a maré. A única coisa que eu posso dizer que eu tenho “mais” do que quem ainda não foi é a certeza de que vale a pena. Tanto vale a pena, que mesmo com “medo” eu estou trocando meu mundo aqui, uma vida toda que eu reconstruir quando voltei, novamente, para viver uma vida lá. Lá onde eu fui feliz todos os dias do intercâmbio, mesmo se algo dava errado. A sensação de estar lá era única e nada me tirava essa alegria. Lá onde eu amadureci, onde eu aprendi a caminhar com meus próprios passos. Aprendi a dividir, a somar, a viver com a subtração e por fim… multiplicar. Multiplicar histórias, multiplicar as amizades, multiplicar a maturidade. Eu aprendi mais do que viver, eu aprendi como viver feliz, todos os dias! Essa trilha pode ser complicada, mas eu garanto que vale muito a pena arriscar a caminhada. Obrigada Deus por poder voltar e fazer tudo de novo, novamente, só que diferente !


Laís Galhardi
Formada em Jornalismo. Ama comunicação, viagens, descobrir novas culturas e compartilhar suas experiências com outras pessoas. O seu primeiro intercâmbio cultural foi em Dublin, na Irlanda, onde viveu experiências marcantes na sua vida pessoal e profissional. Mesmo depois de ter voltado para uma temporada no Brasil, atualmente reside na capital Irlandesa e trabalha também com Intercâmbio.