Bem, por onde começar… eu sempre quis morar fora do Brasil, mas o tempo foi passando, entrei na faculdade, trabalho, filho, etc…

Minha irmã veio para a Irlanda como au pair em 1998 e como ela já estava aqui, foi mais fácil a decisão de atravessar o oceano. Ela conseguiu a escola para meu filho, que era minha prioridade e preocupação principal.

Eu estava dando aula na Ulbra (Universidade Luterano do Brasil) e naquele tempo saiu a exigência de professores universitários terem mestrado como obrigatório. Era a deixa que eu estava esperando. Larguei tudo e decidi vir para Dublin em  Janeiro de 2000. Não tinha muito dinheiro guardado, mas a vontade de vir era maior que o juízo 😉

Como era formada em Turismo e Hotelaria, busquei trabalho nesta área. Meu inglês não era bom e como poderia trabalhar somente meio período por causa do filho, me ofereciam sempre trabalho de camareira. Trabalhava das 9h às 14h, horário que meu filho estava na escola. Como tenho passaporte italiano, pude me registrar no social welfare e receber alguns benefícios. Isto ajudou bastante, porque meu salário não iria chegar para cobrir as despesas básicas. A maioria de meus amigos na época eram espanhóis (quando se encontrava algum brasileiro era a maior festa) e trabalhando arrumando camas, as possibilidades de conversar em inglês eram limitadas (camas nao falam ;-)).

860798_4964566725527_1238203944_oDepois de um ano resolvi estudar. Fiz um curso de Office Assistant Bilingue no Rathmines Senior College, mais para aprender inglês. Estudava no mesmo horário que meu filho e consegui um trabalho de digitação – Data Entry – as tardinhas e de garçonete em casamentos e eventos aos finais de semana. Foi um tempo bem puxado, mas por sorte minha irmã estava ainda por aqui e me ajudava a olhar o guri sempre que ela estava livre.

Com o tempo e o domínio do idioma, fui mudando de empregos, passei a trabalhar em horário normal como Data Entry em uma casa de apostas (bookmakers/spreadbetting). Colocava na internet e aertel pages todos os preços para apostas em corridas de cavalos, golf, rugby, futebol, cricket, corrida de cães, políticos, etc. Os Irlandeses apostam em tudo o que você pode imaginar (que cor de camisa o Tiger Woods vai aparecer no primeiro dia do torneio, quem vai fazer o primeiro gol da partida, antes ou depois do intervalo, quanto tempo vão durar os casamentos dos famosos, vai nevar no Natal…) Era muito bom porque podia assistir a todos os jogos. Como sou fãzona de esportes, era o emprego ideal…

Depois trabalhei em uma corretora de seguros, no departamento financeiro da Xerox, e como guia de turismo no verão e, finalmente, consegui abrir meu próprio negócio: tenho uma agência de turismo chamada Cultural Way direcionada ao intercâmbio cultural e a prática de esportes,  que são minha paixão (rugby, golfe e futuramente equitação)

Demorou um tempo, mas consegui realizar meu objetivo: criar meu filho, ter meu próprio negócio e trabalhar no que amo. O filho estudou aqui desde a escola primária e agora já está terminando a faculdade. Meu trabalho de mãe já rendeu resultados, agora só falta o negócio progredir. Pelo jeito vamos ficar por aqui para sempre…

Cláudia Oselame

*Imagens Arquivo Pessoal

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