Quando pensamos em fazer um intercâmbio planejamos cada detalhe da ida. Tirar o passaporte, comprar as passagens, escolher um curso com boas referências, estudar sobre o país, ir ao médico e até comprar roupas novas.

Em 2012, larguei o trabalho, deixei namorado, família e planos da casa própria para trás e me lancei em um intercâmbio de um ano na Irlanda, saindo dos 40º da Cidade Maravilhosa para os -11º de Dublin.

Dei o grande passo que foi chegar no local com o 6º sotaque mais sexy, viver experiências incríveis, conhecer gente nova, aprender uma nova língua e então o prazo está perto de terminar. Como voltar? A gente nunca consegue planejar a volta.

No início eu só pensava em sentir calor e nunca mais reclamar, mas quando cheguei tudo estava mudado. A cidade continuava a mesma, mas eu, não. Embora eu seja uma grande entusiasta e esperançosa brasileira, nas primeiras semanas, não me sentia mais uma carioca nata. Os preços estavam altos demais, o transporte público desorganizados, as pessoas andando tensas pelas ruas. Nos noticiários eram informações sobre arrastões, assaltos, violência e mais violência. Não foi fácil.

Busquei maneiras de me readaptar. A primeira foi parar de comparar negativamente os lugares por onde passei com o Rio. O meu objetivo era tentar mudar o que eu considerava ruim. O que eu concluí? Não adianta reclamar sem colocar a mão na massa. Quer mudança? Faça a mudança.

A segunda foi entender que mesmo que eu quisesse me tornar uma cidadã europeia, ainda assim, eu seria para sempre uma estrangeira. Independente do país que você escolher para imigrar, você nunca será daquele lugar, as suas raízes estarão plantadas no Brasil e isso pode causar desconforto para você e/ou seus novos compatriotas.

Fazer um intercâmbio traz grandes transformações e nos impele a uma reflexão sobre quem você é e onde está inserido. Aproveite a oportunidade de conhecer um ou mais culturas, absorva, entenda e busque aplicar este conhecimento no seu meio. Intercâmbio significa a reciprocidade de relações (comerciais, culturais etc.) entre nações.

Então aproveite o máximo!

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Amina Bawa
Amina é jornalista graduada pela PUC-Rio, fazendo mestrado em Cultura e Comunicação, na Universidade de Lisboa e assume ser uma viajante viciada. Curiosa por natureza, sempre quer saber um pouco mais sobre tudo e pretende dar a volta ao mundo. Atualmente reside na capital portuguesa, mas já morou na Irlanda desenvolvendo projetos na área de Audiovisuais e multimídias.