As opções de intercâmbio ganharam novas proporções na última década, ampliando inclusive a idade de pessoas que continuam deixando seu país de origem para ter uma experiência longe de casa. A busca não é apenas pelo idioma, mas pela experiência de vida e amadurecimento. Em onze anos, a procura por aperfeiçoar a língua estrangeira vivendo no país com falantes nativos aumentou dez vezes.

A língua inglesa lidera de longe a preferência dos brasileiros, com Canadá, Estados Unidos e Inglaterra no pódio. O espanhol vem em seguida e a Espanha ainda é o alvo principal, embora seja ampla a oferta de cursos nos países latino-americanos. “Argentina e Chile, no espanhol; Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, no inglês, são países do Hemisfério Sul com oferta crescente de opções a preços que podem representar cerca de 20% a 25% de economia”, diz Carlos Robles, presidente da Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta), que reúne mais de 70 associados, entre escolas, universidades e prestadores de serviços.

Só em 2014, cerca de 233 mil brasileiros partiram para intercâmbio – número que, em 2003, não chegava a 35 mil. A maioria desse público tem entre 18 e 30 anos e, além dos cursos clássicos, conta com um rol cada vez mais dinâmico de opções, que vão desde o ensino médio e a pós-graduação até os combinados – idiomas com atividades culturais ou voluntariado, por exemplo.

Trabalho voluntário

Há quem aproveite o intercâmbio para dar também uma mãozinha a quem precisa. “Trabalhar como recreador no Hospital Infantil da Cruz Vermelha, na Cidade do Cabo, me fez enxergar a vida com outros olhos, além de ter feito grandes (e pequenos) amigos, dos quais jamais me esquecerei”, conta Românti-Ézer Anastácio da Silva, de 30 anos, que ficou um mês na África do Sul e aliou os estudos a trabalho voluntário – e ainda morou na casa de uma família local e, claro, fez turismo nas horas livres “Pude praticar o idioma com mais afinco, longe da sala de aula, interagindo com pacientes de 0 a 12 anos, pais, staff do hospital e demais voluntários.”

Se na África do Sul os programas de voluntariado têm atraído estudantes, Austrália e Nova Zelândia despontam com outro trunfo. “Para cursos acima de 13 semanas, de longa duração, esses países concedem permissão de trabalho de até 20 horas semanais aos alunos”, destaca Robles, da Belta. “As escolas ajudam a encontrar oportunidades, mas a vaga depende da entrevista com o empregador”, diz. “O trabalho, em si, não serve para pagar o curso, mas dá um plus no currículo muito apreciado pelos headhunters.”

Fonte: Jornal Bem Paraná

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