Se eu pudesse dar um conselho a uma amiga sobre um intercâmbio, diria sem pestanejar, se joga.

Não vou dizer que vai ser fácil, vou dizer que sim, com certeza valerá a pena. Ao contrário do que a maioria possa pensar, não me joguei de cabeça no intercâmbio, quando fui para lá, parte de mim ficou aqui no Brasil. E apesar disso, quem diria, meu coração ficou apertadinho na hora de voltar. É uma tanta história para tão pouco tempo que confesso, às vezes você se sente atordoada.

Londres1Muito mais do que aprimorar o Inglês, o intercâmbio foi uma superação para mim, dos meus maiores medos, de medos que eu nem sabia que tinha ainda. Muito mais difícil do que aprender a lidar com as outras pessoas, com as outras culturas, você aprende a lidar consigo mesma, a conseguir ficar em silêncio, olhar para dentro e falar: vai Gabriela, você consegue. Acaba que por mais que todo mundo insista em dizer, fique longe dos brasileiros. Me perdoe, não há no mundo alguém que entenda melhor do que nós o que é estar junto, junto para todas as horas, junto mesmo quando esta longe, junto naquele abraço apertado, naquela farofa no metro silencioso de Londres (Ah sim, Londres foi minha primeira parada, primeira casa fora de casa). Não há educação britânica no mundo que me convença que um povo bem educado é melhor do que um povo acolhedor e olha que tenho de admitir, são todos muito mais solícitos do que eu imaginava, claro, sem extrapolar ou falar alto.

A Irlanda (minha segunda casa) tem mais cara de casa, cara de Brasil, será? Eles se importam menos em fazer piada, em rir de vez em quando, em falar alto às vezes, porque não? Estar longe intensifica os sentimentos, é tudo muito, ninguém fica mais ou menos feliz, mais ou menos triste, mais ou menos amigo. Se é amigo é amigo e pronto, porra! Pode contar comigo. Estar longe é esperar demais das pessoas e se surpreender com quem menos se espera. Boas surpresas, outras nem tão boas assim.

LondresParis

Tentei ouvir mais, mas continuei falando muito, tem coisas que a gente não muda tão fácil assim. Aprendi a dormir em qualquer canto, a não ter medo de andar sozinha, a andar sozinha no escuro. Senti vontade de por um tanto de gente na mala e levar comigo, da Tailândia, do Canadá, dos EUA e claro, do Brasil. Não adianta, eu vou repetir, como eu gosto do meu Brasil. Mas o que eu gosto mesmo é dessa sensação de estar de volta, só que para isso, é preciso partir, não?

Gabriela Hauptmann


Cristina Lima
É formada em Jornalismo pela UNISO (Universidade de Sorocaba), e pós-graduada em Gestão da Comunicação Integrada pela Metrocamp em Campinas/SP. Passou também por muitas escolas de comunicação pelo Brasil e no exterior. Cristina vive entre entre a Irlanda e São Paulo, adora viajar, conhecer novos lugares, novas culturas e novos amigos.