Não sou especialista em gastronomia, nem entendo muito sobre a cozinha típica de todos os países, mas, com base nas viagens que fiz por aí, acredito que o povo brasileiro ainda é o que mais sabe variar o cardápio. Brasileiro come frutas, verduras, legumes, frituras, carnes, peixes, lanches e industrializados várias vezes ao longo da semana. É uma mistura mesmo. Mas, fora do Brasil, as coisas mudam bastante e não é fácil se virar com os hábitos alimentares de outras culturas.

Para quem está só de passagem por outro país, é bem mais fácil. Por mais que as diferenças sejam gritantes, a situação é temporária. A exceção mesmo é para quem, além de encarar um cardápio diferente, precisa driblar alergias a alguns alimentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, achei quase impossível encontrar um lugar que vendesse alimentos sem glúten em supermercados, conveniências ou restaurantes. Por mais modernas que sejam as cidades de Nova York e Chicago, muita gente ainda não sabe o que é glúten! Frutas e verduras custam mais caro que qualquer refeição “completa” dos restaurantes típicos do país. Buffets ou self-service são raros e, quando existem, não espere variedade de saladas, um arroz ou grelhados. Comer bem nos Estados Unidos é comer bastante. Comer algo saudável é bem diferente – um desafio que vai custar caro.

saladaOs cardápios na Europa também têm pratos típicos com ofertas gordurosas, como o tradicional fish and chips de alguns países, com batata e peixe fritos em muito óleo. Mas isso nem se compara aos lanches dos Estados Unidos. Até as saladas são com molhos, queijos, bacon, ovos e tudo mais. E como se vive num lugar assim?

A alimentação é um desafio para os intercambistas, principalmente para aqueles que não aprenderam a cozinhar. Os sanduíches viram opções para quem cansou de lanches das redes de fast-food, mas eles também vão contribuir para quilos extras na sua temporada no exterior. A dica é cozinhar em casa. As receitas mais simples ficarão de dar água na boca, mesmo para o mais inexperiente cozinheiro. As frutas, verduras, legumes são caros, mas conhecendo bem a cidade você vai encontrar os pontos de feiras e os dias das promoções – anote no calendário os dias e compre para a semana. Quando for para a rua, carregue frutas, castanhas, cereais – eles ajudam a enganar a fome e são ótimas fontes de energia.

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Se você tem intolerância a algum alimento, ou é vegetariano, vai gastar mais. Se for a turismo, pode levar do seu país os industrializados lacrados, mas, claro, declarar que está levando essas comidas. Se for morar, pergunte para os nativos e descubra um lugar que vende esses produtos – mas prepare o bolso. No Brasil, produtos para quem tem alergia alimentar são bem mais caros, chegam a custar de três a cinco vezes mais o preço de um produto comum. Nos Estados Unidos também. Nesse ponto, a Europa oferece vantagem.

Prepare-se para o cenário que você está prestes a encarar no exterior. A Internet é a melhor aliada para isso. Bem alimentado, você curtirá muito mais sua viagem, seja para turismo ou intercâmbio.


Marciéli Palhano
Jornalista brasileira, nômade por natureza. Adora conhecer pessoas, histórias e lugares diferentes. Se tiver comida boa, uma bela paisagem e gargalhadas, não precisa de mais nada. Diagnosticada com doença celíaca e intolerâncias alimentares, criou o projeto Zero Gluten & Lactose: www.zeroglutenlactose.com