O ano apenas começou e pra alguns as férias já estão acabando. Mas pra outros elas ainda estão por vir! Minha turnê de aventuras pela América Central ‘tá chegando ao fim e o Panamá é meu último destino. Embora pequeno, o país dispõe de diversas facetas culturais e geográficas. Minha dica vai pra uma fabulosa comarca indígena na costa caribenha. Guna Yala, Kuna Yala ou mais conhecida pelo seu antigo nome San Blas, essa província autônoma é regida pelo povo Guna e encanta com sua natureza, principalmente por suas ilhotas. Não pensei duas vezes e me joguei da capital pra lá.

Foto: Arquivo pessoal Eduardo Xerez

Por ser um país estreito, você imagina que o deslocamento da costa pacífica (capital) até a caribenha é simples e rápido. Não nesse trecho. O trajeto tem que ser feito por carros com tração 4×4 e leva cerca de 3h. Chegando lá, você toma um barco motorizado até sua ilha de destino. Eu simplesmente reservei o pacote completo (transporte, hospedagem, 3 refeições) ainda no hostel na Cidade do Panamá.

Foto: Arquivo pessoal Eduardo Xerez

Antes do amanhecer o carro veio me pegar. Cinco amigas panamenhas já estavam aí, eufóricas e cheias de bagagem e mantimentos. Mesmo com minha tentativa de aproximação sutil e educada, elas praticamente me ignoraram do começo ao fim do trajeto. Não me fizeram falta. O papo com o motorista com certeza foi bem mais interessante.

Foto: Arquivo pessoal Eduardo Xerez

Depois de uma longa espera no canal onde chegam os barcos, finalmente alguém saiu convocando os hóspedes pra Chichime.Yuhuuu! Minha ilha! Vamo’ nessa! Éramos quatro no total. O tempo não estava dos melhores, mas o trajeto ao longo daquelas ilhotas é impressionante. Logo chegamos, e pontualmente o Sol abriu rasgando! Tão emocionado e encantado, fiquei na plataforma mesmo, admirando aquela água azul cristalina. Em cerca de 10 minutos você circunda a pequena Chichime caminhando! Que sonho! Os índios Guna parecem ser bem reservados, talvez tímidos, mas nos receberam muito bem. O casal irlandês foi pra sua barraca, e eu dividi a minha com a Melanie. No outro dia chegariam Stefano (que conheci antes no hostel) e Cristina. Fora algumas pessoas acampando do outro lado da ilha, nós éramos os únicos hóspedes.

Foto: Arquivo pessoal Eduardo Xerez

Falando em barracas, elas ficam à beira do mar e são feitas de palha. O chão… é areia da praia! Eletricidade (uma lâmpada!) só à noite. Tomadas? Só uma na “recepção”. Sinal de telefone? Talvez. Internet? Esqueça! Ay, vamo’ combinar! Tu é tão viciado(a) assim, que não sobreviveria 2-3 dias num lugar incrível desses por falta de internet?! Então…

Foto: Arquivo pessoal Eduardo Xerez

Na minha primeira noite passei horas deitado na plataforma, estupefado com aquele céu! A Via Láctea nítida e várias, várias estrelas cadentes! Sou muito sensível a essas coisas. Eu me emociono mesmo! De repente chegam três homens. Eu me sentei, meio assustado. Eles me perguntaram, porque eu ‘tava dormindo ali. Daí expliquei que ‘tava bem acordado e tal. Eles são Guna e estavam na ilha pra consertar a bomba de água. Ficamos um tempo conversando, até a cerveja acabar e dois deles pegarem a canoa. “Na ilhota aqui à frente conseguiremos cerveja”. Lá ‘tava tudo escuro, mas bem, eles deviam saber mehor que eu. Não os vi mais… Infelizmente não lembro o nome do que ficou comigo na plataforma. Mas sua personalidade, simplicidade e sabedoria nunca vou esquecer. Ficamos um tempo observando a água a nossa volta, cheia de noctiluca. Pequenos organismos que “acendem” e fazem um espetáculo marinho.

Foto: Arquivo pessoal Eduardo Xerez

Ele ainda me contou sobre a lenda das meninas das estrelas. Segundo ele, os Guna acreditam que os primeiros seres-humanos vieram das estrelas. Sem dúvida, envolvido por contos e realidade, essa foi uma das noites mais mágicas da minha vida.

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Eduardo Xerez
Eduardo é mestrando, graduado em História da Arte e Ciências da Cultura pela Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde trabalha como Mediador Cultural. Sua grande paixão é viajar pelo mundo, colecionando novas histórias e aprendendo com cada lugar. Já visitou até então cerca de 60 países e, além da Alemanha, já viveu na Nova Zelândia, Malta e Camboja. Hoje conta suas aventuras na coluna Mundo Afora, aqui no Press Abroad. Fascinado por comunicação, ele domina com fluência o Alemão, Inglês, Italiano e Português e ainda desenrola no Russo, Francês e Espanhol.