Eu finalmente recebi a recompensa e respeito necessários“, disse a babá espanhola, que receberá a indenização concedida por um tribunal de Dublin.

A justiça irlandesa ordenou uma compensação salarial de 9.229 euros, para uma babá espanhola que denunciou a exploração sofrida pela família.

A decisão da Comissão de Relações Laborais (WRC), indenizará babá depois de demonstrar que esta família, cuja identidade não foi divulgada, violou a lei de salário mínimo, horários e condições de emprego, pagando apenas 100 euros por semana de salário. Desde 1 de Janeiro do corrente ano, o salário mínimo no país foi fixado em 9,15 euros por hora.

O caso foi conduzido pelo Centro de Direitos dos Imigrantes (MRCI), que comemorou a vitória na última terça-feira (8). A babysitter disse em comunicado emitido pelo MRCI que estava “exausta, deprimida e fraca“, quando ela decidiu meses atrás, procurar ajuda para relatar sua situação de emprego. “Tem sido um processo longo e muitas pessoas trabalharam no meu caso. Eu finalmente recebi a recompensa e respeito que precisava. Sem o apoio de todas essas pessoas, isso não teria sido possível“, disse a profissional.

Por estas razões, ela envia uma mensagem a todos as suas colegas de profissão: “Vocês merecem respeito, porque o bem mais valioso de uma família, são seus filhos, e cada uma sabe da grande responsabilidade que é cuidar dessas crianças“. “Eu gostaria de enfatizar a grande importância que todos reconheçam esta situação e espero que au pairs não permitam serem exploradas como mão de obra barata“, acrescentou.

O Centro de Direitos dos Imigrantes disse que a decisão do tribunal “envia uma mensagem clara” para as famílias que empregam babás, enquanto advertindo que “infelizmente” não é “um caso isolado”. “Sabemos que muitas au pairs são tratadas muito, muito pior. O seu trabalho é essencial para as famílias, a comunidade e a economia. Esta decisão histórica e a compensação concedida mostram claramente que seu trabalho é valorizado”, disse a representante legal do CRCI, Virginija Petrauskaite.

A ativista instou o Governo a lançar uma campanha de sensibilização para que as famílias conheçam os seus direitos e responsabilidades. Mas acima de tudo, disse ela, as autoridades devem “urgentemente acabar” com “agências de au pairs que anunciam condições de trabalho ilegais, punindo tanto as agências como os empregadores”.

No ano passado, o CRCI publicou um relatório no qual afirmou que fornece suporte legal para mil babysitters, a partir dos 40 casos que tiveram em 2012.

O relatório denunciou a “exploração generalizada” enfrentada por au pairs. O jornal descobriu que 37% dos 554 entrevistados não possuía contratos de babás e 40% tinham apenas um acordo verbal, enquanto 58% recebiam apenas 120 euros de salário por semana ou menos. Das entrevistadas, 48% são de nacionalidade brasileira e 28% de nacionalidade espanhola.

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