Deixar tudo para trás e se arriscar num intercâmbio foi uma das decisões mais importantes para a vida da chef Angélica Araújo.

Angélica Araújo é uma pernambucana, que aos 28 anos de idade trocou Recife pelo seu primeiro intercâmbio: estudar inglês na Irlanda. Você pensa que foi fácil? Mas, não foi não. A jovem não só deixou para trás uma vida estabilizada e um emprego bem sucedido como gastrônoma, como também teve que se despedir do seu maior vínculo, que é o seu filho, de cinco anos.

Ainda que a viagem tenha durado “apenas” três meses (de junho a agosto de 2017), o que pode ser pouco para o leitor, é muito para quem está na pele de um intercambista. Uma bagagem imensa já se adquire com este tempo no exterior e olha que não é o suficiente! Vive-se muita coisa e muitas informações servem como um divisor de águas. Ninguém retorna sendo o mesmo que partiu, com essa experiência.

Foto: Arquivo pessoal de Angélica

Os três meses que fiquei na Irlanda foram como um intensivo da minha vida. Vivi muito mais nesse curto espaço de tempo, do que se vive normalmente em um ano no Brasil. Aprendi, ensinei e me descobri. A Angélica de antes já não existe mais, porque você ganha uma nova perspectiva de vida, uma nova visão do mundo.” Afirma a chef.

Angélica conta que tudo começou quando ela percebeu que estava cansada da rotina profissional. Era cansativo conciliar o trabalho como chef de cozinha e realizar eventos gastronômicos em sua cidade, ainda que isso lhe rendesse uma vida confortável.

Do incômodo surgiu a ideia de investir em outra formação que já tinha – comissária de voo – e essa foi a porta aberta para pensar em um intercâmbio, uma vez que aprimorar a língua inglesa seria fundamental para uma carreira na área.

A sua alma de viajante foi facilitadora para a decisão, a pernambucana sempre realizou excursões em cidades históricas, no interior do Nordeste, e em outros estados brasileiros. Essa característica aliou-se à necessidade de estudar no exterior e, a partir daí, ela começou suas pesquisas em portais, blogs especializados e agências de intercâmbio. Todo o processo de planejamento até o embarque levou nove meses.

A Irlanda foi o destino escolhido por trazer vantagens como o padrão de vida mais barato em relação aos países vizinhos; estar na Europa e consequentemente ter a chance de viajar por outros lugares no continente, durante o intercâmbio (e no caso da Angélica, ela conheceu o País de Gales e Madrid); e a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho irlandês legalmente, com o visto de estudante.  

Foto: Arquivo pessoal de Angélica

No entanto, ao desembarcar em Dublin, a chef teve que lidar, inicialmente, com oscilações de humor, fruto da adaptação para o novo. Antes do intercâmbio, ela achava que a sua temporada fora do Brasil seria um mar de rosas, mas, na verdade, foi desafiador lidar com língua e cultura tão diferentes da sua.

Após superar este primeiro momento, aí sim, se rendeu a tudo que Dublin oferece e constatou que a cidade é apaixonante. A liberdade de caminhar em um lugar seguro e sem violência foi o primeiro choque positivo. Angélica fez diversos passeios a pé, apreciando cada detalhe dos prédios com estilo georgiano, as portas coloridas das casas e os parques. Segundo ela, se você mora no coração da cidade, então está a 20 minutos de paisagens incríveis.

A Irlanda é um pais cheio de ar fresco e estilo de vida ao ar livre. Morei com pessoas de diversas nacionalidades, entre elas, espanhóis, franceses, portugueses, italianos, croatas e noruegueses. Dublin é uma cidade muito agradável e bem movimentada culturalmente. Há muitas coisas bacanas pra se fazer como: ver o por no sol as margens do Rio Liffey, caminhar pela Grafton Street e ouvir os artistas de rua das mais diversas nacionalidades, caminhar pelo Stephen’s Green e, claro, tomar a famosa Guiness, nos pubs espalhados pela região do Temple Bar”. Relata Angélica.

Foto: Arquivo pessoal de Angélica

Amadurecida, a jovem dá algumas dicas para quem deseja se aventurar em outro país. A primeira é não temer o destino desconhecido e a nova língua. A finalidade do intercâmbio é também aprender o idioma local, então, os erros na comunicação serão normais e as pessoas estarão ali para entender e serem entendidas, logo, é mergulhar de cabeça neste tipo de vivência.

A segunda dica é direcionada para quem acha que está velho para o intercâmbio. Não há idade certa para agregar novos conhecimento e encher a bagagem com novas informações. Uma coreana de 65 anos foi sua colega de classe e ela não pensou em sua idade, apenas abraçou a oportunidade e foi abraçada de volta.  

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Joyce Lima
Jornalista e assessora de comunicação, a área cultural é a sua paixão e, por isso, sempre busca conhecer costumes e culturas de diferentes lugares. A história de cada país e região a encanta e ela procura dividir isso de maneira mais fidedigna com os leitores. Carioca da gema e sem amarras segue livre buscando conhecimentos por onde passa.