Cheguei em Albany, NY no dia 23 de agosto de 2013, estudo na State University of New York, conhecida também como University at Albany. Um alívio sem tamanho, depois de todo o sofrimento e a espera do processo eu realmente, estava aqui.

Todo período de espera pela concessão da bolsa é muito estressante, porque é muito tempo e pouca informação.

Acredito que meu caso seja um pouco diferente da maioria dos outros bolsistas. Sou de uma chamada que teve muitas reviravoltas, a famosa 127. Me inscrevi para Portugal, como não tinha domínio da língua inglesa e na época o governo ainda não disponibilizava o exame proficiência nas universidades, achei que seria interessante a experiência de intercâmbio mesmo que fosse com o mesmo idioma. Mas as vagas pra Portugal foram canceladas e podíamos escolher entre Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Irlanda, Itália, França ou Alemanha, escolhi o Reino Unido.

Tempos depois, por questões de acordos entre países a nossa ida para o Reino Unido não seria mais possível e então eles nos deram a opção de vir para os Estados Unidos, esperar o próximo edital e tentar novamente para o Reino Unido ou desistir da candidatura. Não pensei duas vezes e escolhi os Estados Unidos.

Pois bem, cheguei, estava extasiada de tanta novidade por segundo na minha vida. Era tudo tão diferente, tão novo, eu queria aproveitar todo o tempo que eu tinha aqui. Chegamos aqui em 12 pessoas e fomos nivelados para começar o curso de inglês na universidade, o chamado IELP – Intensive English Language Program. Aprendemos muito, o curso é realmente intensivo e cheio de “homework”, os deveres de casa. Conheci inúmeros estudantes internacionais, principalmente asiáticos, alguns árabes, e sempre mantínhamos contato e conversávamos bastante.

Depois de muita dedicação ao curso durante o segundo semestre de 2013 (aqui ele chamam de Fall 2013), a maioria foi encaminhado para as aulas regulares em nossas respectivas áreas.


 

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Passeio com os estudantes internacionais durante o curso de inglês, o IELP.


Aqui, o ano letivo vai de agosto a maio, já que o verão começa em Junho, o primeiro semestre é o “Fall”, durante o período do outono e o segundo semestre o “Spring”, durante a primavera. As férias do final de ano são de apenas de 4 semanas e durante esse período pudemos aproveitar para viajar e conhecer um pouco do país onde estamos vivendo e fugir do frio.

Aqui na região estava muito frio, ouvi muitas pessoas falando que não se lembravam de um inverno tão rigoroso, pelo menos nos últimos 50 anos. Viajar por aqui não é tão caro quanto viajar dentro do Brasil, mas como o dinheiro é escasso, tivemos que economizar nas viagens também.

Em janeiro começaram as aulas regulares, estávamos todos muito nervosos, mas sempre recebíamos incentivos dos brasileiros que estão aqui a mais tempo que nós. O apoio entre o grupo ajudou muito na nossa adaptação por aqui. O idioma acredito que foi a maior dificuldade no começo, se adaptar a uma pessoa falando apenas inglês, e em alguns casos tinham muito sotaque como chineses e indianos (aqui, existem muitos professores e estudantes vindos da China e Índia), mas durante o semestre essa dificuldade foi diminuindo. Precisei me dedicar bastante pra obter boas notas, mas no grupo de brasileiros, alguns não achavam que a universidade aqui fosse tão puxada quanto no Brasil, acho que depende bastante do curso que fazemos e de que tipo de disciplina pegamos aqui. Quanto ao frio, ele foi embora pouco depois que a primavera começou por aqui.

E chegou o tão esperado verão. Atualmente, estamos em quase 50 brasileiros na mesma universidade, no mesmo dormitório, poucas pessoas na universidade, então fica bem difícil falar inglês, mas fazemos o possível. O grupo está dividido entre os que fazem estágio, os que fazem pesquisa, os que fazem aulas de verão e os que estão no curso de inglês (lembrando que existem pessoas de 3 chamadas diferentes no grupo). Essa é a época que as pessoas tem mais oportunidade de atividades ao ar livre e a natureza daqui é muito generosa, temos lugares incríveis não muito longe de onde moramos.

Aqui na SUNY, em Albany, temos alimentação (apesar da comida não ser das mais deliciosas), chamado “meal plan”, moramos em dormitórios da universidade e não pagamos pelo transporte público que é de qualidade. Quase não tivemos problemas relacionados a dinheiro e ajudas, não tivemos muitos problemas relacionados a dinheiro, o maior problema foi realmente agora no verão quando eles afirmavam que conseguiríamos comer bem, durante o período sem o “meal plan”, com 3 dólares por refeição e não, não conseguimos. Sou simplesmente apaixonada pela cidade onde moro, não tenho do que reclamar daqui (apesar de estar ficando cada dia mais quente, mas acho que é pra compensar os -30 graus Celsius que fizeram no inverno).

Photo_2Eu não sou pelega e estou muito distante de ser uma, mas o programa é uma ótima maneira de dar oportunidade para vivermos experiências diferentes, conhecer culturas e pessoas diferentes para cosmopolizar os jovens no intuito de melhorar a vida no lugar onde moramos.

Acredito que grande parte dos estudantes que participaram e participarão do Ciência Sem Fronteiras, assim como eu, voltarão pessoas melhores e com gana de melhorar o nosso país.

Camila Sgarioni Ozelame