Danice Estátua Rolland‘O que escrever/dizer sobre meu estágio no exterior?’ Primeiramente, gostaria de comentar sobre o local onde estive: cidade de Bremen (Brema em português), situada ao norte da Alemanha, bastante turística. Fui para esta cidade para desenvolver uma parte da pesquisa do meu projeto de doutorado, no Instituto Max Planck (Max Planck Institute for Marine Microbiology), onde a pesquisa esteve voltada para o ciclo do nitrogênio.

Neste instituto ligado à Universidade de Bremen, tive a oportunidade de obter os resultados necessários para a finalização da minha tese, além de participar de palestras e grupos de discussões, onde aperfeiçoei meu inglês e tentei aprender um pouco de alemão (curso oferecido gratuitamente pela Universidade). Assim, fui para Alemanha sem falar absolutamente nada do idioma local e, embora eu tenha passado por alguns ‘perrengues’ iniciais, quando meu inglês melhorou passei a sobreviver razoavelmente bem! (Digo razoável porque é sempre melhor saber o idioma local, não são todos que falam ou que gostam de falar inglês na Alemanha, quanto mais turística a cidade, mas seguro você está só com o inglês).

Porém, embora a experiência de trabalhar em um instituto de pesquisa como este tenha sido importantíssima na minha carreia, o que mais vale ressaltar de toda esta história é a experiência de ter vivido em um país onde as coisas realmente funcionam. Lá tive contato apenas com pessoas extremamente honestas, os meios de transportes públicos eram perfeitos – duas características que não encontramos normalmente, infelizmente, no nosso país. As poucas cidades que conheci na Alemanha seguiam o mesmo padrão: cidades sempre limpas e organizadas! Disto recordo-me sempre, principalmente quando vejo o caos das nossas grandes cidades brasileiras.

Mas sem dúvida o que há de mais importante na experiência de viver no exterior, em minha opinião, é de superação!

Quando se planeja uma viagem destas não é tudo que ocorre em harmonia. Na época da minha partida meu namorado não aceitou nenhum pouco, minha mãe quase morreu do coração, e minha própria orientadora ficou extremamente assustada, desencorajando-me a ir… Afinal, o povo alemão não tem uma fama boa ao redor do mundo (todo mundo me dizia: é terra de gente fria, você vai sofrer muito por lá!). Pois é, senti na pele o que as pessoas tanto me diziam: cheguei a me sentir completamente só e a ficar finais de semana completamente fechada dentro do apartamento onde morei. Chegar em casa e não ter com quem conversar (de carne e osso, porque skype, whatsapp, etc não contam nesta hora!) e sair de casa e não ter ninguém que te entenda te faz sentir como se estivesse sozinha no mundo! Bom, pelo menos eu senti…

Foram inúmeras as placas incompreendidas, rótulos de comida estranhos, desentendimentos com informações… Mas não é que eu superei?! Ao final das contas posso dizer que fiz amizades, viajei por cidades que nunca imaginei conhecer, me perdi e me encontrei várias vezes por caminhos e pensamentos, aprendi a comer coisas diferentes e até a ‘lidar’com o fogão elétrico (rsrs). Resumindo, aprendi a viver comigo mesma!

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Aprendi que grandes amores superam a distância (hoje estou casada com o namorado da época) … Aprendi que é normal amigos ‘esquecerem’ da gente quando estamos longe… Aprendi que a experiência de viver no exterior te torna uma pessoa mais crítica com a sociedade/problemas do seu país de origem, como se esta experiência te mostrasse qual o seu papel como cidadão…

Mas o maior aprendizado sem dúvida foi de que tudo passa e que todas as experiências são válidas, que tudo acontece/aconteceu por alguma razão. Se pudesse, faria tudo novamente! Mas, por melhor que tenha sido conhecer a Alemanha ou os outros países que visitei, foi ainda melhor voltar para casa!!

Danice Mazzer Luvizotto