Depoimento: as adversidades vencidas no intercâmbio

A experiência de intercâmbio, certamente, é muito enriquecedora para quem tem a oportunidade de vivenciá-la. O convívio com culturas, linguas, costumes, culinária e outros fatores é difícil e é preciso saber lidar com as adversidades que poderão surgir no decorrer da caminhada. No ano passado, o estudante de Jornalismo Diego Twardy, 19 anos, foi intercambista em um programa de High School em uma cidade dos Estados Unidos. Diego conversou com a equipe do Press Abroad, que colheu um depoimento sobre a experiência dele. Confira na íntegra:

“Pra começar a história, é importante falar que fui para a cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos. Foram 6 meses, de janeiro à junho de 2014. Como entrei na faculdade no meio do 3o ano, eu completei o primeiro semestre e tranquei a faculdade, porque era a última chance de ir para uma High School lá, já que eu iria completar 18 anos logo logo.

Dei entrada no processo por volta de maio de 2013 e só fiquei sabendo da família que iria me receber em 5 de janeiro de 2014. Então, informações sobre a família recebidas, fui pesquisar sobre Minneapolis, pois não sabia nada do local além de que era nos Estados Unidos. Vale lembrar que eu decidi não escolher um lugar específico, e sim ir aleatoriamente. Quando os resultados apareceram no Google, o clima foi o primeiro link. Chegaria em Minneapolis no dia 13. A cidade estava passando pelo inverno mais duro em 75 anos! Então, no dia 13, eu estava lá. Quando a porta do aeroporto abriu, senti a temperatura: 28 graus negativos. Fui de 28 graus positivos de Orlando à 28 negativos de Minneapolis. As estradas, carros e casas estavam todos brancos, cobertos pelas diárias nevascas. Demorei um pouco a me acostumar com a neve, mas tudo isso faz parte da experiência.

Não vou entrar em muitos detalhes, mas a família que me designaram não foi a única que eu fiquei durante o intercâmbio. A minha insatisfação com a família foi tamanha que cheguei a não ter vontade de continuar a viagem pelos 6 meses que seguiriam. Nossa única atividade fora de casa era ir a um cinema a 6 quilômetros de distância, só por que o preço do ingresso era menor. Um dos integrantes da família quando descobriu que eu queria mudar para outro lugar me disse o seguinte: “Não entendo por que você quer mudar. São só 6 meses. A gente que não pode mudar por que essa é nossa vida, mas para você são só os 6 meses e pronto, depois você volta para sua vida normal”. Esse tipo de experiência é único na vida, portanto não iria “gastar” a chance com essas pessoas que me tratavam mal e quase fizeram eu me arrepender de ter feito intercâmbio.

Do momento em que informei a responsável da área por nós intercambistas, foram quase 2 meses para conseguirem uma nova família. Esse tempo foi muito ruim, mas me fez perceber que posso enfrentar várias adversidades, em um ambiente indesejável.

Diego e sua host family

Costumo contar seguinte frase  às pessoas que me perguntam coisas relacionadas ao intercâmbio: “O que a primeira família foi ruim, a segunda foi boa”. Lembro perfeitamente o momento que recebi a notícia. Foi na escola (Washburn Highschool). A responsável da área me ligou e informou que uma menina que fazia a aula de Teatro comigo havia contado minha história para os pais dela e que eles gostariam muito de me receber. No dia seguinte, arrumei minhas coisas e não via a hora de ir para casa dela. A menina da aula de teatro, Sienna, tinha uma irmã gêmea, a Cailyn. Elas eram as cheerleaders do colégio e jogavam rugby. Os pais, Julia e John, são umas das pessoas mais doces e inteligentes que eu já conheci. Vale destacar que eles não eram uma família cadastrada no programa e não recebiam nenhuma “ajuda de custos” ou algo do tipo, como a primeira família recebia.

Mesmo assim, foram extremamente gentis comigo. Julia trabalhava em uma padaria, eleita a 5ª melhor do mundo segundo algumas revistas especializadas. John, que já fez intercâmbio para a Índia quando tinha a minha idade, ocupava um importante cargo na Best Buy. Eles sempre conversavam comigo sobre os mais diversos temas, além de curiosidades sobre o Brasil e como algumas palavras eram ditas em português.

Além de fazer algum programa diferente quase todo dia, também viajamos juntos para Nova York e Chicago! Serei eternamente grato à recepção e aconchego que eles me deram. Enfim, se você cogita a possibilidade de fazer um intercâmbio, FAÇA! É uma experiência extremamente importante, que te faz ter mais conhecimento de mundo, te prepara para situações adversas e tira você da sua zona de conforto. A sensação de que você pode superar vários acontecimentos é muito gratificante e vai estar contigo para sempre.”

Diego Twardy | Imagens: arquivo pessoal

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