1. Dom Quixote – Espanha; regiões La Mancha, de Aragão e de Catalunha
Poucos são os que leram o livro inteiro, mas todo mundo conhece o básico da história de Dom Quixote de la Mancha, um clássico escrito por Miguel de Cervantes. Enquanto o protagonista perde o juízo lendo romances de cavalaria e decide fazer andanças com Sancho Pança, o leitor acompanha várias aventuras entre as terras espanholas de La Mancha, Aragão e Catalunha.
Não há admirador da história que não queira visitar a região – e vale a pena! Em Castela La Mancha, terra natal do personagem, começa uma rota chamada Rota Do Quixote, que atravessa os mesmos cenários do texto. São 144 municípios que totalizam 2.500km a pé, de bicicleta ou a cavalo. Mas é preciso ter coragem: passando pelo Campo de Criptana, na Ciudad Real, encontram-se alguns gigantes violentos com braços enormes. Ou seriam apenas moinhos de vento?

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2. Trilogia Millenium – Estocolmo
Quando a trilogia Millenium foi lançada, milhões de leitores ficaram impressionados com a narrativa de Stieg Larsson e muitos ficaram com vontade de conhecer a Suécia. Quando o filme Os Homens Que Não Amavam As Mulheres saiu, aí nem se fala – o turismo para lá cresceu a olhos vistos, especialmente em Estocolmo. Fã que é fã tem vontade de conhecer os locais por onde Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander passaram e a economia agradece.
É claro que já existe o Millenium Tour, oferecido pelo Museu da Cidade de Estocolmo. Calcula-se que mais de 10 mil turistas pedem o pacote por ano e adoram o passeio de 90 minutos que começa na Bellmansgatan 1, onde mora o jornalista, e passa pela sede do jornal, pelo apartamento da hacker, pelo lago Riddarfjärden, pelo bar Kvarnen e muito mais.

3. Insustentável leveza do ser – Praga
O livro de Milan Kundera é quase uma ode à cidade de Praga, República Tcheca. Ao acompanharmos os personagens Tomas e Tereza, conhecemos mais sobre o local bem no contexto político da invasão russa na Tchecoslováquia de 1968 – período conhecido como a ‘Primavera de Praga’. E ainda assim tudo é encantador e vibrante. O Old Town Hall, a Ponte Carlos, a Igreja de Nossa Senhora de Týn e o Monte Petrin são paradas obrigatórias para o turista e já avisamos: é impossível caminhar em suas ruas estreitas e não sentir nada. Praga exala charme e romantismo, agito e cultura. E isto vale para todas as estações.

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4. Código Da Vinci – Paris, Londres e Escócia
O Código Da Vinci é um daqueles best-sellers “ame ou odeie”, mas uma coisa ninguém pode negar: a aventura de Dan Brown mostra tantos lugares incríveis da Europa que fica difícil não sentir nem uma pontinha de vontade de visitar as cidades. Várias empresas de turismo aproveitaram o sucesso para criar roteiros inspirados no livro e vale a pena seguir os passos de Robert Langdon.
Tudo começa em Paris, com Museu do Louvre, Igreja de Saint-Sulpice, Champs-Élysées. De lá, o protagonista parte para Londres – Rua Fleet, Temple Church, St. James’s Park, Abadia de Westminster. Por fim, Escócia, encerrando a correria na Rosslyn Chapel. Você encara?

5. Hamlet – Helsingor (Castelo de Elsinore)
“Ser ou não ser, eis a questão” – mesmo quem nunca leu Hamlet já ouviu falar na clássica frase presente na peça de William Shakespeare. Havia algo de podre no reino da Dinamarca e traição, vingança, corrupção, loucura e dissimulação preenchiam os corredores do Castelo de Elsinore, a residência real em Helsingor. O castelo existe de verdade e, ainda que seu nome oficial seja Kronborg, todo mundo o chama pelo apelido literário mesmo.
E isso faz sentido: todos querem visitar o palco da tragédia de Hamlet e o local vive basicamente desta memória. Há uma pequena exposição de fotos das produções já realizadas e a peça é apresentada no pátio anualmente (em agosto). E você pode andar pelos corredores tranquilamente – os guias garantem que não tem nenhuma lança envenenada à sua espreita.

6. O Corcunda de Notre Dame – Paris
O livro de Victor Hugo foi publicado no século 19 e, desde então, todos que olham para a Catedral de Notre Dame logo pensam no corcunda Quasimodo. A trama se desenrola dentro da Catedral e seus arredores de Paris, mais precisamente na Île de la Cité, e quase ninguém sabe que originalmente o personagem mais famoso mal aparecia na história. Tudo girava ao redor da cigana Esmeralda, o arquidiácono Claude Frollo e o capitão Phoebus e alguns críticos afirmam que o intuito do romance era conscientizar os leitores sobre a necessidade de se conservar Notre Dame. Ao que tudo indica, Victor Hugo teve sucesso nesta empreitada – construída em 1163 em homenagem a Virgem Maria, a catedral rodeada pelas águas do Rio Sena continua bela e imponente.
Em tempo: o mesmo vale para Les Miserábles, do mesmo autor, que conseguiu transformar os esgotos da Cidade Luz em um verdadeiro destino turístico. Que feito!

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7. O tempo e o vento – Rio Grande do Sul
Se tem algum livro nacional que descreve muito bem a história de um povo, este livro é O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo. A obra composta por 3 partes – o Continente, O Retrato e O Arquipélago – narra a formação do estado do Rio Grande do Sul com uma mistura de ficção e dados históricos através das famílias Terra, Cambará, Caré e Amaral. São 200 anos da história gaúcha colocados no papel.
Ainda que tudo se passe na cidade fictícia de Santa Fé, as guerras, revoluções e outros acontecimentos que contam a história rio-grandense fazem qualquer um ter mais vontade ainda de conhecer as suas terras.

8. Guerra e Paz – Rússia
Não vamos mentir: é preciso ter coragem para começar a ler Guerra e Paz. O clássico de Leo Tolstói é dividido em quatro livros de mais ou menos 400 páginas e são tantos personagens e descrições detalhistas que fica difícil resumir a obra de uma forma concisa. Ela se passa durante a campanha de Napoleão na Áustria e descreve a invasão da Rússia pelo exército francês e a sua retirada, além de analisar a aristocracia da época.
Os entusiastas do autor não perdem a chance de passar em Moscou e nas cidades vizinhas menores para visitar locais como a Colina Poklonnaya, o Kremlin, a Academia Militar e o Museu da Batalha de Borodino. Uma vez em São Petersburgo, também dá para visitar o Cemitério Piskaryovskoye, a Fortaleza de Pedro e Paulo e o Museu Hermitage, por exemplo. Inesquecível.

 9. Crepúsculo – Volterra
Volterra sempre foi um lugar bonito, mas praticamente esquecido pelos turistas que visitavam a Itália. Professores alemães e apreciadores de vinho eram basicamente o público-alvo do local, até que, de uma hora para outra, a região localizada na Toscana se viu invadida por adolescentes histéricas – as fãs da saga de Crepúsculo, best-seller teen escrito por Stephenie Meyer. É no livro Lua Nova que Volterra aparece, ela é o lar dos temidos Volturi, algo como uma “família real” de vampiros muito poderosos.
Desde então, o turismo aumentou bastante. Não há muito o que fazer por lá, mas de fato o lugar impressiona pelos seus túmulos etruscos e palácios da Renascença. E ainda dá para conhecer cidades vizinhas parecidas: Volterra fica pertinho de Casole d’Elsa, Castelnuovo di Val di Cecina, Colle di Val d’Elsa e San Gimignano, por exemplo, então é só escolher.

10. Memórias de uma Gueixa – Kyoto
Ainda que a maioria das pessoas ignore que o filme Memórias de uma Gueixa foi baseado no livro de Arthur Golden, é desde a sua publicação, em 1997, que fãs da história visitam Kyoto para conhecer todo o passado e a cultura do Japão. O destaque vai para o distrito de Gion e suas casas de chás localizadas na rua Hanamikoji – ainda que a casa mais famosa, Ichiriki-tei, seja só para clientes privilegiados. Precisa de mais motivos para visitar a cidade? Ela tem1600 templos budistas, 400 santuários, 17 monumentos classificados Patrimônio da Humanidade e um templo (o Sanjusangendo) que tem 1001 estátuas da deusa Kannon, além das belíssimas flores de cerejeira que cobrem Arashiyama, distrito de Kyoto.

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 Via Viaje Aqui – Abril.