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Foto arquivo pessoal

Ela é uma aventureira nata. Desde criança viajava entre Rio de Janeiro e Porto Alegre para visitar a família. Hoje, tem 32 anos. Já morou no Canadá, no Chile e na Inglaterra. Neste ano, decidiu conhecer novas culturas, sem medo de viajar por aí sozinha. “Brinco que o bichinho do avião me picou e sempre que vejo um avião no céu penso no meu próximo destino”, conta Tahila da Cunha Carvalho que ficará viajando o mundo por um ano. A ideia é voltar ao Brasil só em abril do ano que vem.

A decisão veio em janeiro. Três meses depois, Tahila já estava longe de casa. Para que isso fosse possível, ela contou com o apoio dos amigos e da família. Os clientes de sua empresa de eventos e cerimonial de casamentos também contribuíram. “Eu tinha contrato com eles, se exigissem que eu fizesse o trabalho, eu teria desistido, porque minha palavra é mais importante. Mas todos me apoiaram”, conta ela.

 O começo de tudo

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Foto arquivo pessoal

Tahila é formada em Direito e estava cursando Relações Públicas. Então, para viajar, trancou o curso, alugou o apartamento, vendeu o carro e conseguiu o dinheiro que precisava. O investimento fica em torno de 40 euros por dia, considerando despesas com comida, transporte, imprevistos e, quando necessário, acomodação. Muitas vezes ela fica na casa de amigos, parentes e até acampamentos – é um jeito de economizar e reencontrar pessoas. “A viagem ficou voltada para esses lugares onde eu poderia matar a saudade e ter um abrigo conhecido. Mas ficar alguns dias sozinha também é bom”, afirma ela ao lembrar dos dias em Mostar, na Bósnia, e Sofia, na Bulgária quando não teve companhia.

As surpresas

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Foto arquivo pessoal

“Portugal foi surpreendente pela aproximação com a cultura brasileira. Fazer o caminho de Santiago de Compostela foi desafiador. O leste europeu foi aprendizado. O Egito foi um sonho realizado”, define Tahila. Escolher um destino como o melhor é impossível para ela. “Quando cheguei no final do caminho de Santiago de Compostela, tinha mais de dez bolhas enormes nos pés, estava chovendo, eu estava muito cansada e querendo desistir. Chegar na frente da Catedral foi a parte mais gostosa por saber que eu era capaz de enfrentar os desafios que a viagem ia me mostrar”, completa.

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Foto arquivo pessoal

A Suíça foi onde ela passou quase um mês morando num cenário que chama de ‘coisa de filme’. A experiência foi importante para ver como os brasileiros que moram lá sofrem para se manter. Na Bósnia, ela passou três semanas e esteve durante o período do Ramadã: “descobri como é difícil ser mulher cristã em um país árabe. As culturas são totalmente diferentes e isso me fascina muito”, completa.

Apesar de viajar sozinha, o  medo não faz parte da rotina della. No entanto, Tahila conta que ficou apavorada com os batedores de carteiras em Roma. Em Veneza, teve sua carteira roubada. Mas isso não interfere na programação de percorrer lugares desconhecidos. A ideia é passar também pela Ásia, Oceania, Américas e chegar no sul do Brasil pela Argentina ou Uruguai.

A viagem exigiu programação de vistos e eles foram para: Índia, Austrália e Estados Unidos.

A saudade de casa

Ah, a saudade! É esse o maior desafio para Tahila também. “Lembro que quando morava em Londres, há cinco anos, falava pelo Skype direto. Ainda que hoje tem Internet em praticamente todos os lugares e muitas ferramentas. Sempre que posso estou conectada.

O que faz valer a pena

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Foto arquivo pessoal

 “Preciso de muito pouco para ser feliz, tenho uma mochila de vinte quilos e uma bolsa. A vida pode ser muito mais simples do que se parece. Poder viver em outros lugares faz você pensar em como vivemos rotulados pelos paradigmas da sociedade. Em uma viagem como essa você descobre do que realmente gosta, não importando o que os outros vão pensar. Isso é fantástico. Medo eu tb tenho todas as vezes que saio da minha zona de conforto, mas a recompensa é maravilhosa. Enfrente seus medos e seja feliz!”, finaliza Tahila.


Marciéli Palhano
Jornalista brasileira, nômade por natureza. Adora conhecer pessoas, histórias e lugares diferentes. Se tiver comida boa, uma bela paisagem e gargalhadas, não precisa de mais nada. Diagnosticada com doença celíaca e intolerâncias alimentares, criou o projeto Zero Gluten & Lactose: www.zeroglutenlactose.com