Acontece até o dia 30 de agosto, em Berlim, na Alemanha, um dos mais importantes festivais de dança contemporânea do país – o Tanz im August. Em sua 26º edição, o evento continua sua missão de levar a dança contemporânea para o grande público e fornecer novas inspirações à cena local, com companhias de ponta vindas de todo o mundo.

Este ano, o Tanz im August buscou dar espaço para diferentes práticas coreográficas, permitindo que a dança contemporânea seja apresentada na sua totalidade. Nesse contexto, a dança pode englobar ações políticas e apropriações históricas, sem esquecer da internet, um grande espaço de propagação para novas audiências.

Assim ,a seleção deste ano parte em busca de investigar o movimento, olhando para o passado, o presente e o futuro da dança contemporânea, seu papel artístico, cultural e político. O festival oferece não só um espaço para a diversão, mas também para um reflexão mais profunda sobre temas do mundo contemporâneo.

Brasileiros em destaque

Dois artistas brasileiros estão entre os destaques do Tanz im August 2014. Em sua primeira apresentação na Alemanha, Eduardo Fukushima apresenta três de seus consagrados solos. Marcelo Evelin retorna à cidade para instigar a plateia com Suddenly Everywhere is Black with People.

Eduardo

O trabalho de Fukushima segue uma linha de investigação que começa nos gestos e no movimento. O paulistano apresenta três solos no festival: Between Contentions (2008), How to Overcome the Great Tiredness? (2010) e Crooked Man (2013/14).

Outro coreógrafo que retorna aos palcos berlinenses é o brasileiro Marcelo Evelin. Em 2009,Matadouro, espetáculo do piauiense, abriu o festival de dança brasileira Move Berlin. Cinco anos mais tarde, Evelin apresenta Sudenly Everywhere is Black with People ao lado da coletivo holandês Demolition Inc.

MarceloNo espetáculo, Evelin propõe uma radical redefinição dos conceitos de artista e público. Um grupo de cinco bailarinos pintados de preto se movimenta no espaço em um ritmo imprevisível. Eles se movem agrupados como um único corpo, obrigando o espectador a adotar continuamente novas posições.

Com uma espécie de dança de guerra, uma disputa pelo espaço cênico, um questionamento do fenômeno das multidões, o espetáculo cria uma experiência íntima e pessoal que ousadamente aborda questões contemporâneas, como migração, raça e poder.

Além dos palcos

Mas o Brasil não brilha apenas nos palcos do Tanz im August. O artista brasileiro Alex Pinheiro foi responsável pelas colagens que ilustram os pôsteres, cartazes e anúncios do festival pelas ruas de Berlim, além do site e da divulgação virtual do evento.

Além de espetáculos vindos da América, da Europa e da Ásia, o Tanz im August também conta com instalações – destaque para EAT, do francês Alain Buffard sobre canibalismo –, simpósios, discussões e a possibilidade do público de se aprofundar em alguns dos espetáculo, explorando os movimentos e princípios estéticos em conversas com seus respectivos coreógrafos.

Fonte: Deutsche Welle