O francês da França e do Canadá (província do Quebec) pode soar idêntico aos ouvidos dos leigos, mas na realidade são bem diferentes. As mudanças estão nos sotaques, no vocabulário e nas expressões, o que é comparável aos contrastes do português brasileiro e europeu.

Os franceses começaram a colonizar as terras canadenses no século XVI, consequentemente introduziram na região o francês clássico, falado ao norte de Paris. Contudo, de 1760 em diante, os britânicos ganharam grande poder e começaram a governar o Novo Mundo, o que isolou as colônias francesas. A partir daí começou o processo de diferenciação do mesmo idioma, no qual o francês europeu se desenvolveu com influências europeias e o canadense com influências da língua inglesa.

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Diferenças no vocabulário e expressões:

Namorado = petit ami (França) = Chum (Quebec)

Namorada = petite amie (França) = Blonde (Quebec)

Meu carro = ma voiture (França) = mon char (Quebec)

Dirigir = conduire (França) = chauffer (Quebec)

E-mail = mail (França) = Courrier électronique (Quebec)

Estar com vontade de = avoir envie (França)  = avoir goût (Quebec)

Não aguentar mais = en avoir marre (França) = être tanné (Quebec)

Bonjour-hi: essa expressão é bastante utilizada no Canadá francófono (principalmente nos comércios em Montréal, já que o cliente ganha a possibilidade de ser atendido em francês ou inglês).

Ao contrário da França, utiliza-se no Quebec elementos da igreja católica para xingar, como por exemplo: Tabarnak (equivalente à amplitude de significados do fuck em inglês), que vem de Tabernacle (Tabernáculo, armário onde é guardado um recipiente com as hóstias). Isso pode ser explicado pela antiga opressão que a Igreja exercia na região, o que gerou ódio na população.

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Refeições:

Café da manhã = Petit déjeuner (França) = Déjeuner (Quebec)

Almoço = Déjeuner (França) = Dîner (Quebec)

Jantar = Dîner (França) = Souper (Quebec)

Na escrita formal, o francês do Quebec é pouco diferente do europeu, embora a situação possa ficar um pouco mais complicada na fala informal. No fim das contas, as duas variedades são compreensíveis entre si – na maioria das vezes – e devem ter suas peculiaridades respeitadas.